Até agora, na Europa, os formuladores de políticas adotaram uma abordagem intervencionista, aplicando regras rígidas de proteção e conduta ao consumidor. Mas isso não impediu as instituições financeiras de atrair clientes pouco sofisticados para investir em produtos muito complexos. Será que o combate à iliteracia financeira teria ajudado a preencher essa lacuna?
Por exemplo, um consumidor financeiramente informado seria capaz de ver e compreender a diferença entre um depósito estruturado e um investimento estruturado, mesmo que seu consultor financeiro lhe dissesse que os retornos de ambos eram “garantidos”? A questão, portanto, parece ser:
Educar os consumidores e ajudá-los a serem mais ágeis financeiramente os tornaria mais seguros do que já são agora?
competencias mais exigidas no mercado de trabalho
A resposta depende de quem você pergunta. De um lado, organizações de defesa do consumidor e acadêmicos são céticos quanto ao alcance da educação financeira. De outro, alguns governos, organizações internacionais e o setor financeiro defendem os benefícios de níveis mais elevados de educação financeira.
Vamos começar pelo básico: educação.
Todos sabemos que pessoas instruídas estão em melhor situação do que as não instruídas, mas o que significa ser instruído? De acordo com a lista de habilidades que definem uma pessoa instruída da Universidade Harvard, as principais qualidades são a capacidade de definir problemas sem um guia, fazer perguntas difíceis que desafiem as premissas predominantes, assimilar rapidamente dados necessários de uma massa de informações irrelevantes, conceituar e reorganizar informações em novos padrões, pensar indutivamente, dedutivamente e dialeticamente e abordar problemas heuristicamente.
Agora, vamos supor que os cidadãos europeus já possuam as competências acima e adicionar finanças à equação. Segundo a OCDE, a literacia financeira é uma combinação de consciência, conhecimento, competências, atitudes e comportamentos necessários para tomar decisões financeiras acertadas e, em última análise, alcançar o bem-estar financeiro individual. Além de compreender conceitos financeiros e ser capaz de interpretar dados financeiros, pode ser vista como um conjunto crescente de conhecimentos, competências e estratégias que os indivíduos desenvolvem ao longo da vida.